Heterologias

sexta-feira, março 15, 2013

 

Die Welt als Wille und Vorstellung






In the camp, Guido hides their true situation from his son, convincing him that the camp is a complicated game in which Joshua must perform the tasks Guido gives him, earning him points; the first team to reach one thousand points will win a tank. He tells him that if he cries, complains that he wants his mother, or says that he is hungry, he will lose points, while quiet boys who hide from the camp guards earn extra points.

Guido uses this game to explain features of the concentration camp that would otherwise be scary for a young child: the guards are mean only because they want the tank for themselves; the dwindling numbers of children (who are being killed by the camp guards) are only hiding in order to score more points than Joshua so they can win the game. He puts off Joshua's requests to end the game and return home by convincing him that they are in the lead for the tank, and need only wait a short while before they can return home with their tank. Despite being surrounded by the misery, sickness, and death at the camp, Joshua does not question this fiction because of his father's convincing performance and his own innocence.

Guido maintains this story right until the end when, in the chaos of shutting down the camp as the Americans approach, he tells his son to stay in a sweatbox until everybody has left, this being the final competition before the tank is his. Guido tries to find Dora, but is caught by a soldier. As he is marched off to be executed, he maintains the fiction of the game by deliberately marching in an exaggerated goose-step as he passes Joshua's hiding place.

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sexta-feira, abril 30, 2010

 

Infiltratrating Capitalism with The Yes Men

McDonald's McMascots: Rona McRiveter by The Yes Men

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quarta-feira, abril 28, 2010

 

As agências de ratas


Hoje, a minha Justina está de rastos. Eu bem a tinha avisado que aquilo não ficava por ali, que a Dona Ermelinda tinha lá escarrapachado, pra toda a gente ver, um outlook negativo. Mas a minha Justina é toda reinação e é uma miúda bem formada e achou que se pagasse umas bejecas à Ermelinda dos jornais, a que vende lotarias no quiosque, ela começava a ver mais os pontos fortes do negócio e menos os remendos na canalização. Qual o quê! Hoje o pessoal que vinha do quiosque da Ermelinda era só que as meninas da Justina eram tão porcas como as universitárias gregas do Erasmo que fazem uns biscates prá Antonieta zarolha. Ainda pra mais, isto tudo no fim do mês, quando o pessoal vem aqui largar o guito. Estava eu com o Rebelo das obras, a engraxar-lhe o Benfica, que sim, que era uma fartura e que antes cá pra Lisboa que prós facciosos dos tripeiros (que a gente, quando é empresário, diz o que é preciso pra cativar o cliente) e que se fazia assim uma coisa em grande, já este fim-de-semana que vem, pra comemorar o europeu de salão - e os matraquilhos no Chico - mas, vai o Rebelo, que não, que não queria investir nisso, que, se calhar, não, que ainda ia ver, que os rapazes andavam cansados com as obras pró Papa, que o Terreiro do Paço tinha de estar acabado em menos de quinze dias, que o Braga ainda podia dar chatices... E eu a cheirar o ranço daquela merda toda. E digo-lhe assim: punhamos aí as meninas da Justina a noite toda a girarem umas mines, uma música daquelas pum-pum-pum toda às bolinhas, dava-se-lhes mais qualquer coisa e as gajas também davam mais qualquer coisa aos rapazes... E o Rebelo que ainda se ia ver. É pá! Disse logo eu ao Silva cauteleiro: anda aqui intriga da Ermelinda - e o gajo logo que sim, que a Ermelinda, depois da Antonieta, era a malhar na Justina, que aquilo era como os tigres da Malásia, pior que o Sandokan, que era no pescoço do mais fraco, despachava um e passava ao outro e que, depois da Justina, ainda ia ser a vez da Pilar, a espanhola da Pensão Vigo, que eram as leis do mercado e que um tipo não andava aqui pra ver passar combóios e ele até achava que a Ermelinda estava feita com o tipo da Remax, aquele com ar de paneleiro e gravata à BCP, e o que eles queriam era fechar aquilo tudo para depois se fazerem uns condomínios à maneira prós granfinos, daqueles com guardas e tudo, como nas novelas brasileiras. Aí é que está o quiproquó, ó Silva - a merda do busiles, o dedo na ferida. Eu bem avisei a Justina do outlook negativo, mas ela não, que não, que ia a falas com a Ermelinda e ia correr tudo bem. Até se pôs em cima do balcão e, de mine na mão, disse assim como quem vai apresentar um fadista de quem nunca ninguém ouviu falar: caros clientes, que são mais que amigos, são como família. (Houve uma balbúrdia de aplausos e de assobios e de bocas prá geral). E ela, embalada: amigos, vizinhos, gentes do meu coração, para que não haja dúvidas e ninguém fique a matutar, digo-vos aqui, d'alma escancarada e coração nas mãos, que a Albertina, apesar de não ter sido ela a pegar os chatos ao Manel da Famel, já foi posta na rua, porque ia lá pra trás mexer nos tomates do Carlos servente, que é um porco e só lhe pagava o que queria, quando queria e nós nunca víamos nada. A malta toda a aplaudir e eu mesmo ali a ver que aquilo já não era suficiente para acalmar a Ermelinda: era pouca coisa e tarde de mais. Por isso, quando, hoje de manhãzinha, me vem a Justina toda chorosa da padaria, a dizer que aquela puta da Ermelinda a tinha descido dois lugares no ranking e que ainda lhe tinha dito ó Sôdona Justina não fique assim, que ainda está muito bem colocada pra lhe mandar pra lá uns marinheiros turcos e uns rapazes ucranianos que estão ali a pôr um pládur no café do Senhor Sousa e que ela só não lhe foi às fuças porque, depois, é que nem aos reformados da Recreativa a Ermelinda recomendava o estaminé, quando ela me chegou neste estado, eu só lhe disse, ó Justina, faz-me aqui um broche, pra não ir assim prá casa de banho lavar a tromba. Mas, eu, o que queria, mesmo, dizer-lhe era: olha, filha, põe-te mas é a pau, que o outlook continua negativo e ainda vais pelo mesmo caminho da Antonieta zarolha e olha que vais de carrinho, nem que faças uma remodelação geral ao estaminé, lavabos incluídos e toalhinhas de turco grosso mudadas todos os dias. E a Justina fez-se ao pau, mas foi ao meu, e a Ermelinda não se vai ficar por aqui. Esperem pra ver e escrevam aí na agenda que fui eu quem vos disse - que eu, quando falo não é prá piça, por isso escrevam nas agendas, não ponham os colhões a gravar.

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quinta-feira, fevereiro 18, 2010

 

Massa fresca com nero di seppia

Reconstituição das páginas da edição angolana do primeiro caderno do semanário Sol de 12 de Fevereiro de 2010 que por cá andam esquivas, segundo afamado especialista estrangeiro em arqueologia industrial (que pediu anonimato: diz que não gosta de chocos com tinta)



A PARÁBOLA DO JUIZ E DA JORNALISTA

- A JORNALISTA
O sôtor não acha que o primeiro valor de uma sociedade democrática é a liberdade de expressão?

- O JUIZ (do Norte)
Não.

- A JORNALISTA
... a liberdade de pensamento?

- O JUIZ (do Norte)
Não.

- A JORNALISTA
...a liberdade de opinião?

- O JUIZ (do Norte)
Não. Não. O primeiro valor é o direito à vida.
E deixemo-nos de coisas, porque eu já ouvi dizer... que é... O único valor, o primeiro valor, o único valor que não tem limitações, em algumas sociedades, porque tem, por exemplo, nos sítios onde há pena de morte, é o direito à vida e à integridade física...

- A JORNALISTA
Está a fugir à minha pergunta.

Da tradição popular

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sexta-feira, outubro 02, 2009

 

Passará não passará?

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sexta-feira, março 13, 2009

 

10 de Março


"Hitler Chancellor. What, up to election Sunday on March 5, I called terror, was a mild prelude. Now the business of 1918 is being exactly repeated, only under a different sign, under the swastika. Again, it's astounding how easily everything collapses. What has happened to Bavaria, what has happened to the Reichsbanner, etc. etc.?

Eight days before the election the clumsy business of the Reichstag fire -- I cannot imagine that anyone really believes in Communist perpetrators instead of paid [swastika sign] work. Then the wild prohibitions and acts of violence. And on top of that the neverending propaganda in the street, on the radio, etc. On Saturday the fourth, I heard a part of Hitler's speech from Konigsberg. The front of a hotel at the railway station, illuminated, a torchlight procession in front of it, torchbearers and swastika flag bearers on the balconies and loudspeakers. I understood only words. But the tone! The unctuous bawling, truly bawling, of a priest. ---

Yesterday the dramaturge Karl Wolf dismissed "by order of the Nazi party" -- not even in the name of the government -- today the whole Saxon cabinet, etc., etc. A complete revolution and party dictatorship. And all opposing forces as if vanished from the face of the earth. It is this utter collapse of a power only recently present, no, it's complete disappearance (just as in 1918) that I find so staggering. Que sais-je?"

March 10, 1933

Diários de Viktor Klemperer, entrada de 10 de Março de 1933

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terça-feira, fevereiro 03, 2009

 

Primeiro-ministro coloca-se (finalmente) na posição

(Continuamos com a fecunda análise da peça jornalística, seguindo o método crítico-paranóico (muito) avançado)





















Ora, aqui está, o primeiro dos ministros assume, finalmente, a posição (exclusivo Heterologias, patrocinado pelos Preservativos Simplex).

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sexta-feira, janeiro 30, 2009

 

Golpe de Estado



O tipo ser arrogante e oportunista, é como o outro: paciência, sinais dos tempos... Pensavam os meus amigos que os tachos, as chulices, os canudos porque sim, as universidades da treta, o carreirismo, as exorbitânciazinhas dos poderezinhos, eram só para os tugas sem responsabilidades políticas - ou que eram só para aqueles tais de yuppies lá dos oitentas? Ná! Somos todos culpados - ou vivemos numa caixa de cartão na Arcada do Terreiro do Paço (o que , também, não nos redime, necessariamente - podemos, então, ser apenas yuppies incompetentes). Portanto, lá isso da arrogância ignorante de um carreiristazito bem sucedido, a transpirar cagança por todos os poros, já não me incomoda. O que é grave é o golpe de Estado. Sim, a subversão do regime: então não é que o medíocre personagem se prepara para se perpetuar no poder, quer a gente queira ou não queira? Ou, nas palavras do coiso:

"Estou aqui para dizer, aos Senhores jornalistas e aos Portugueses, que não é desta forma que me vencem."

Então se não é desta, ou de qualquer outra forma, que os portugueses o vencem, como é que o gajo sai de lá? Não é a expressão da vontade dos portugueses a utopia da democracia nacional? Se não é a vontade dos cidadãos de Portugal que tira os políticos eleitos dos respectivos cargos onde esses mesmos cidadãos os puseram, quem é que os tira de lá? E, reparem bem, a coisa não diz que é este ou aquele português, estes ou aqueles grupos da sociedade tuga. Não: diz "os portugueses". São os portugueses que não a "vencem" (à coisa), pelo menos "desta forma" - bonita arrogância esta, em que um tipo determina as "formas" pelas quais pode ou não ser "venc[ido]". Imaginemos que o tipo perde as eleições: já o estou mesmo a ver, que não, que não sai, que os portugueses lhe tiraram o rico tachinho, onde (alegadamente!) comia ele, a família e os amiguinhos todos, por via de negras campanhas e que assim não, assim não sai. Vem aí a ditadura - e, agora, deixará de ser molemente dissimulada. Vejam vocês mesmos, confrontando o vídeo anexo. E, depois, não digam que eu não vos avisei.

(Ocorreu-me, assim de repente, como uma insinuação incómoda, que o socrático cretino pode estar a querer dizer outra coisa, espantosamente honesta, desta vez, mas dissimulada (socríptica?): que não serão nem os "jornalistas" (portugueses), nem os "portugueses" que "desta forma" o "vencem" - porque serão os ingleses, as suas cartas rogatórias e, porventura, os tablóides, quando não um couraçado no Tejo... Às armas!)

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quarta-feira, janeiro 14, 2009

 

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terça-feira, janeiro 06, 2009

 

Re-ligar (3)

Palestina, 18 de Janeiro de 2008 - 20 de Dezembro de 2008

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terça-feira, dezembro 02, 2008

 

Gioachino: il dottore che ama la filosofia, la gestione e il suo volto...


(...e, a quanto pare, la mia madrina Zazie)

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quinta-feira, novembro 27, 2008

 

My worthy Mr. Engineer! Do you really believe that all the bloggers of the whole world are actually such simpletons?



Fritz Lang, Metropolis, 1927


One of the richest and most eminent American merchants, a certain Edward Albert Filene, Vice-Chairman of the International Congress of Chambers of Commerce, is now touring Paris, Berlin and other big European centres to make personal contact with the most influential people of the commercial world.

At the banquets arranged, as is fitting, by the richest people of Europe in honour of one of the American rich, the latter is developing his “new” ideas on the world power of the merchant. Frankfurter = Zeitung,[1] the organ of German finance capital, reports in detail the ideas of this “advanced” American millionaire.

We are experiencing a great historic movement,” he proclaims, “that will end in the transfer of all power over the modern world to representatives of commercial capital. We are the people who bear the greatest responsibility in the world and we should, therefore, be politically the most influential.

Democracy is growing, the power of the masses is growing,” argued Mr. Filene (rather inclined, it seems, to regard those “masses” as simpletons). “The cost of living is rising. Parliamentarism and the newspapers, distributed in millions of copies a day, are providing the masses of the people with ever more detailed information.

The masses are striving to ensure for themselves participation in political life, the extension of franchise, the introduction of an income-tax, etc. Power over the whole world must pass into the hands of the masses, that is, into the hands of our employees,” is the conclusion drawn by this worthy orator.

The natural leaders of the masses should be the industrialists and merchants, who are learning more and more to understand the community of their interests and those of the masses.” (We note in parenthesis that the cunning Mr. Filene is the owner of a gigantic commercial house employing 2,500 people, and that he has “organised” his employees in a “democratic” organisation with profit-sharing, etc. Since he considers his employees hopeless simpletons, Mr. Filene is sure that they are completely satisfied and infinitely grateful to their “father-benefactor” ....)

Wage increases, the improvement of labour conditions, that is what will bind our employees to us,” said Mr. Filene, “that is what will guarantee our power over the whole world. Everybody in the world who is at all talented will come to us to enter our service.

We need organisation and still more organisation—strong, democratic organisation, both national and inter national,” the American exclaimed. He called upon the commercial world of Paris, Berlin, etc., to reorganise international chambers of commerce. They should unite the merchants and industrialists of all civilised countries in a single, mighty organisation. All important international problems should be discussed and settled by that organisation.

Such are the ideas of an “advanced” capitalist, Mr. Filene.

The reader will see that these ideas are a paltry, narrow, one-sided, selfishly barren approximation to the ideas of Marxism propounded over sixty years ago. “We” are great masters at upsetting and refuting Marx; “we”, the civilised merchants and professors of political economy, have refuted him completely!... And at the same time we steal little bits and pieces from him and boast to the whole world of our “progressiveness”....

My worthy Mr. Filene! Do you really believe that the workers of the whole world are actually such simpletons?

W. [V. I. Lenine], "The Ideas of an Advanced Capitalist", Rabochaya Pravda, No. 4, July 17, 1913. Tradução de George Hanna, Lenin Collected Works, Moscow, Progress Publishers, 1977, volume 19, pages 275-276.

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terça-feira, novembro 25, 2008

 

A minha madrinha ganhou a medalha de prata no campeonato internacional português de blogueiros!



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sexta-feira, outubro 31, 2008

 

High finance satellites (trick and treat)


Miguel Soares, Space Junk beta 1.0, 2001


Just as Jean Baudrillard long ago warned, the hyperreal, simulational world of
derivatives, credit swaps, and mortgage backed securities long ago
blasted off from material reality, reaching escape velocity, and then
orbiting the world as star-like high finance satellites -- purely
virtual satellites which have no real meaning for the rest of us as
long as they stay in space as part of the alienated, recursive loops
of advanced capitalism. But when the meltdown suddenly happens, when
that immense weight of over-indebtedness and toxic mortgages and
credit derivates plunge back into the gravitational weight of real
politics and real economy, we finally know what it is to live within
trajectories of the catastrophic. Economists are quoted as saying the
financial crisis effects "everyone on earth." Is this Virilio's
"global accident?" Quite certainly it is panic finance: that moment
when the credit mechanisms necessary for capitalist liquidity slam
shut, a time made to measure for Virilio's brilliant theory of bunker
archeology, with each bank its own toxic bunker of junk assets, each
banker a born again socialist. For example, always vigilant automatic
circuit breakers working in the darkness of night recently prevented
a global plunge of the futures market. Allan Greenspan throws up his
hands, exclaiming "I'm in shocked disbelief."
================================
Arthur and Marilouise Kroker, "City of Transformation. Paul Virilio in Obama's America",
CTHEORY: THEORY, TECHNOLOGY AND CULTURE, VOL 31, NO 3


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terça-feira, abril 01, 2008

 

Islâmicos e islamitas

(O evangelho segundo S. Valupi (?) explicado à infiel Zazie)
















Um "islâmico"



Um "islamita"

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sexta-feira, fevereiro 01, 2008

 

Conversa de ir ao cu / É Portugal ninguém leva a mal


"A afixação do Símbolo de Acessibilidade não garante que este sítio seja 100% acessível. A utilização deste símbolo demonstra, únicamente, um esforço em aumentar a acessibilidade deste sítio em conformidade com a Resolução do Conselho de Ministros N.º 97/99 sobre acessibilidade dos sítios da administração pública na Internet pelos cidadãos com necessidades especiais"

Num ápice, este país e este tempo, em que a "comunidade" já é só burocracia europeia, num ápice, retratados, auto-retratados, com o talento, involuntário, de um Rembrandt.
Comecemos por aqui: como a inépcia, este tropeçar do pé na mão e da mão no pé, gera um retrato mais verdadeiro do que aquele que o talento poderia gerar. Dá que pensar. Todas as belas ideias humanistas à volta do talento, do estudo, da dificuldade, da Verdade... Vem um bandalho, trôpego de pés e mãos, sorrisinho alarve na boca, entre a arrogância e o desculpem-me aí qualquer coisinha, vem um borra-botas e vira tudo de pernas para o ar. Está certo, aceito: o tipo queria pintar uma paisagem bucólica e saiu-lhe o retrato do bicharoco que ele é - que ele somos. Mas o que saiu é de uma exactidão, de uma revelação, de uma verdade...
Olhemos, agora, com atenção, o retrato: A afixação do Símbolo de Acessibilidade não garante que este sítio seja 100% acessível. Atente-se na cobardia, na nossa cobardiazinha mesquinha, pequenina, envergonhadinha. A mesma mensagem, em versão com tomates: não pensem lá que por estar lá a merda do símbolo da acessibilidade isto é acessível. Estes grande tomates gongóricos são mais o que ficou do barroco aos espanhóis aqui do lado: la acesibilidad es solamiente un simbolo que no tiorna accessibeles las essencias, pero, atraviés de las apariencias, nos aproxima de la essencia, coño! O que diz a cobardiazinha burocrática dos tempos de convergência e unanimidade, em tradução tuga é: o símbolo "não garante" (não é que seja provável, à partida, mas não é garantido) que seja - o quê? Que seja acessível? Não! - não garante que seja "100% acessível". Tem-te-não-caias. Garante, então, o quê? Nada. Mas também não deixa de assegurar qualquer coisa. Uma tranquilidade, moderna e cosmopolita, inefável, porém. Socrática. Estes pré-socráticos de 99 já profetizavam a segunda vinda do mestre. E, como estas coisas modernas e cosmopolitas requerem uma conclusão, conclui-se que A utilização deste símbolo demonstra, únicamente, um esforço. E, agora, a imbecilidade alarvar é só nossa: do erro ortográfico da pobreza ignorante que o Senhor Dr. Salazar fez o favor de continuar ao beatificado mártir Carlos, El, Rei e Dom, até ao esforço, ao esforço incomensurável, insuportável, mas louvável. Que esforçados somos. Que ratos parimos.
É, únicamente, um esforço em aumentar a acessibilidade deste sítio em conformidade com a Resolução do Conselho de Ministros: é só isso, um esforçozito, do género vou ver se consigo chegar à chávena de café que me pediste, sem me levantar, um esforçozito em cumprir a lei, que, como sabemos, só se cumpre se for mesmo preciso ou tivermos um lugar mesmo merdoso na hierarquia social e poucos padrinhos e nenhumas cunhas.
E eu, envergonhado perante o rigor, sem esforço, da imagem daquele impiedoso espelho, percebi que também tenho "necessidades especiais" e que me ilumina o horizonte a possibilidade, pouco provável, mas possível, de atrás de um globo inclinado com uma grelha sobreposta, cuja superfície uma fechadura recorta, encontrar a satisfação dessas necessidades: não será 100% certo, ou seguro, ou acessível, mas um dia, num momento feliz, atrás de um desses globos descompensados e presos atrás de uma rede que chave alguma abrirá (pelo menos com uma garantia de 100% - ou que abrirá, mas não a 100%), descobrirei o que me falta aqui.
São, estes, outros amanhãs, mas que também cantam, numa percentagem inferior a cem, compostos em Bruxelas e orquestrados pelo chefe da filarmónica, aqui nos confins.

Rafael Bordalo Pinheiro, Antonio Maria, 1ª série, nº 142, 16 de Fevereiro de 1882

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sexta-feira, janeiro 18, 2008

 

Paixão (Stabat Mater Dolorosa / Pietà)

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segunda-feira, outubro 01, 2007

 

A pequenina e os pepinos / Tender Pussy / Ratitas Chiquititas

Retrato de Ethel Hatch, com 9 anos, pelo Reverendo Charles Dodgson (1832-1898)

"Her admirers - middle-aged men and clergymen - respond to her dubious coquetry, to the sight of her well-shaped and desirable little body"...



Wee Willie Winkie

The owners of a child star are like leaseholders - their property diminishes in value every year. Time's chariot is at their back; before them acres of anonymity. What is Jackie Coogan now but a matrimonialsquabble? Miss Shirley Temple's case, though, has peculiar interest: infancy is her disguise, her appeal is more secret and more adult. Already two years ago she was a fancy little piece (real childhood, I think, went out after "The Littlest Rebel"). In "Captain January" she wore trousers with the mature suggestiveness of a Dietrich: her neat and well-developed rump twisted in the tap-dance; her eyes had a sidelong searching coquetry. Now in "Wee Willie Winkie," wearing short kilts, she is completely totsy. Watch her swaggering stride across the Indian barrack-square; hear the gasp of excited expectation from her antique audience when the sergeant's palm is raised; watch the way she measures a man with agile studio eyes, with dimpled depravity. Adult emotions of love and grief glissade across the mask of childhood, a childhood skin-deep. It is clever, but it cannot last. Her admirers - middle-aged men and clergymen - respond to her dubious coquetry, to the sight of her well-shaped and desirable little body, packed with enormous vitality, only because the safety curtain of story and dialogue drops between their intelligence and their desire. 'Why are you making Mummy cry?' - what could be purer than that? And the scene when dressed in a white nightdress she begs grandpa to take Mummy to a dance - what could be more virginal? On those lines her new picture, made by John Ford, who directed "The Informer," is horrifyingly competent. It isn't hard to stay to the last prattle and the last sob. The story - about an Afghan robber converted by "Wee Willie Winkie" to the British Raj - is a long way after Kipling. But we needn't be sour about that. Both stories are awful, but on the whole Hollywood's is the better.

Graham Greene (1904-1991), "Wee Willie Winkie", Night and Day, 28 October 1937



Cartaz para Wee Willie Winkie (1937), de John Ford

LINHA ALERTA INTERNETA SEGURA: chamem a polícia

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sexta-feira, maio 04, 2007

 

R comme révolution





Ce qu'on a "découvert" récemment: les horreurs de Staline... Enfin! Tout le monde le sait depuis... - j'allais dire: tout le temps. Que les révolutions tournent mal ! (rires) Moi, ça me fait rire ! De qui on se moque ? Quand les nouveaux philosophes ont découvert que les révolutions ça tournait mal ... Faut vraiment être un peu débile !
(...) Toutes les révolutions foirent. Tout le monde le sait : on fait semblant de le redécouvrir, là. Faut être débile ! Alors, là-dessus, tout le monde s'engouffre. C'est le révisionnisme actuel. Il y a Furet qui découvre que la révolution française, c'était pas si bien que ça. Très bien, d'accord: elle a foiré aussi. Et tout le monde le sait ! La révolution française, elle a donné Napoléon. On fait des découvertes qui, au moins, ne sont pas très émouvantes par leur nouveauté. La révolution anglaise, elle a donné Cromwell... La révolution américaine, elle a donné... quoi ? Pire, non ? Elle a donné... je sais pas qui... elle a donné Reagan. Ca ne me parait pas tellement plus fameux. Alors, qu'est-ce que ça veut dire ? On est dans un tel état de confusion. Que les révolutions échouent, que les révolutions tournent mal, ça n'a jamais empêché les gens... ni fait que les gens ne deviennent pas révolutionnaires !
On mélange deux choses absolument différentes... - les situations dans lesquelles la seule issue pour l'homme c'est de devenir révolutionnaire. Là encore, on en parle depuis le début...
Finalement: c'est la confusion du Devenir et de l'Histoire. Si les gens deviennent révolutionnaires... Oui: c'est cette confusion des historiens... Les historiens, ils nous parlent de l'Avenir de la révolution, l'Avenir des révolutions... Mais c'est pas du tout la question ! Alors, ils peuvent toujours remonter aussi haut pour montrer que si l'Avenir a été mauvais, c'est que le mauvais était déjà là depuis le début, mais le problème concret, c'est: comment et pourquoi les gens Deviennent-ils révolutionnaires. Mais ça, heureusement, les historiens ne l'empêcheront pas.
C'est évident que les Africains du Sud, ils sont pris dans un Devenir révolutionnaire. Les Palestiniens, ils sont pris dans un Devenir révolutionnaire. Si on me dit après: "Vous verrez, quand ils auront triomphé... Si leur révolution réussit, ça va mal tourner !"... D'abord, ce serait pas les mêmes. Ce ne seront pas du tout les mêmes genres de problèmes. Et puis, bon : ça créera une nouvelle situation, à nouveau il y aura des devenirs révolutionnaires qui se déclencheront... L'affaire des hommes, dans les situations de tyrannie, d'oppression, c'est effectivement le Devenir révolutionnaire, parce qu'il n'y a pas d'autre chose à faire. Quand on nous dit après "Ah, ça tourne mal", tout ça.. : on ne parle pas de la même chose. C'est comme si on parlait deux langues tout à fait différentes : l'Avenir de l'histoire et le Devenir actuel des gens, c'est pas la même chose.

Gilles Deleuze (1925-1995) entrevistado por Claire Parnet (1988-89)

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