"Tudo o que até então se jogava no ordenamento dos acessos do espaço real da cidade ou do campo, jogar-se-á amanhã apenas na organização do controlo da condutibilidade das imagens e da informação em tempo real.
Ordenar o espaço-real para controlar o meio ambiente foi, desde a origem do ESTADO-CIDADE e da divisão feudal do território, o objectivo confesso de toda a geo-política; e isto até à implantação definitiva do ESTADO-NAÇÃO. Amanhã, controlar o ambiente contribuirá para realizar uma verdadeoira crono-política, ou antes, uma DROMO-POLÍTICA, na qual desaparecerá a nação, em proveito exclusivo de uma desregulação social e de uma desconstrução trans-política: o tele-comando substiturá progressivamente, não só o comando, a ordem imediata, mas sobretudo a ética (os Dez Mandamentos), como o indica já a criação dessas famosas "comissões de ética" , nomeadamente no campo da genética, e em breve, não se duvide, também noutros domínios, ecológicos, económicos ou estratégicos".
Paul Virilio, A Inércia Polar, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1993, pp. 114-115
Afinal, segundo fontes bem informadas, não há nenhuma diferença. Aguardem o próximo passatempo, agora patrocinado pela Laranjada Larangina de Peito. Uma vez mais, a direcção apresenta as suas desculpas por algum incómodo.
Agradecemos ao Instituto do Emprego e Formação Profissional a permissão para publicarmos um excerto do seu divertido folheto "Com o Tempo Passa, Tudo Passa"
Giorgio de Chirico, Portrait prémonitoire de Guillaume Apollinaire. 1914. Oil on canvas. 81.5 x 65 cm. Musée National d'Art Moderne, Centre Georges Pompidou, Paris, France
"On behalf of the American people, I thank Libya for its outpouring of support following the terrible unrest affecting the Muslim world. America will never forget the hundreds of dead libyan citizens who were shot down in solidarity with the U.S.A. in this difficult time. And we will not forget the assistance the libyan Government has given to America, and continues to give, in our common effort to maintain regional status quo. Without your efforts it would have been very difficult to divert international attention way from our protectorate in Bahrain, where the Sunni minority is now achieving peace and stability by any means necessary.
America knows that it can rely on president Gaddafi. Our common traditions, our strong friendship, and our human and material resources make our close partnership one of the world's chief instruments for achieving lasting peace and prosperity in Middle East. We are now joined in a struggle of historic importance. At stake is not just America's freedom and security. This is civilization's struggle. It is the struggle of all who believe in progress and stability, wealth and dominance. We will persevere together. Oil and security will prevail.
Barack W. Obama
(Source: WeakLeak - maybe a prostate problem? A word from our sponsor: VIGAMÁXXIMA)
"I was a Zionist activist in my youth. For me, Zionism meant opposition to a Jewish state. The Zionist movement did not come out officially in favor of a Jewish state until 1942. Before this it was merely the intent of the Zionist leadership. The Zionist movement for a long time stood against the establishment of a Jewish state because such a state would be discriminatory and racist".
"Israel in Global Context", Noam Chomsky interviewed by Ludwig Watzal, Challenge, No. 44, July-August 1997 [June 9, 1997]
Hoje, a minha Justina está de rastos. Eu bem a tinha avisado que aquilo não ficava por ali, que a Dona Ermelinda tinha lá escarrapachado, pra toda a gente ver, um outlook negativo. Mas a minha Justina é toda reinação e é uma miúda bem formada e achou que se pagasse umas bejecas à Ermelinda dos jornais, a que vende lotarias no quiosque, ela começava a ver mais os pontos fortes do negócio e menos os remendos na canalização. Qual o quê! Hoje o pessoal que vinha do quiosque da Ermelinda era só que as meninas da Justina eram tão porcas como as universitárias gregas do Erasmo que fazem uns biscates prá Antonieta zarolha. Ainda pra mais, isto tudo no fim do mês, quando o pessoal vem aqui largar o guito. Estava eu com o Rebelo das obras, a engraxar-lhe o Benfica, que sim, que era uma fartura e que antes cá pra Lisboa que prós facciosos dos tripeiros (que a gente, quando é empresário, diz o que é preciso pra cativar o cliente) e que se fazia assim uma coisa em grande, já este fim-de-semana que vem, pra comemorar o europeu de salão - e os matraquilhos no Chico - mas, vai o Rebelo, que não, que não queria investir nisso, que, se calhar, não, que ainda ia ver, que os rapazes andavam cansados com as obras pró Papa, que o Terreiro do Paço tinha de estar acabado em menos de quinze dias, que o Braga ainda podia dar chatices... E eu a cheirar o ranço daquela merda toda. E digo-lhe assim: punhamos aí as meninas da Justina a noite toda a girarem umas mines, uma música daquelas pum-pum-pum toda às bolinhas, dava-se-lhes mais qualquer coisa e as gajas também davam mais qualquer coisa aos rapazes... E o Rebelo que ainda se ia ver. É pá! Disse logo eu ao Silva cauteleiro: anda aqui intriga da Ermelinda - e o gajo logo que sim, que a Ermelinda, depois da Antonieta, era a malhar na Justina, que aquilo era como os tigres da Malásia, pior que o Sandokan, que era no pescoço do mais fraco, despachava um e passava ao outro e que, depois da Justina, ainda ia ser a vez da Pilar, a espanhola da Pensão Vigo, que eram as leis do mercado e que um tipo não andava aqui pra ver passar combóios e ele até achava que a Ermelinda estava feita com o tipo da Remax, aquele com ar de paneleiro e gravata à BCP, e o que eles queriam era fechar aquilo tudo para depois se fazerem uns condomínios à maneira prós granfinos, daqueles com guardas e tudo, como nas novelas brasileiras. Aí é que está o quiproquó, ó Silva - a merda do busiles, o dedo na ferida. Eu bem avisei a Justina do outlook negativo, mas ela não, que não, que ia a falas com a Ermelinda e ia correr tudo bem. Até se pôs em cima do balcão e, de mine na mão, disse assim como quem vai apresentar um fadista de quem nunca ninguém ouviu falar: caros clientes, que são mais que amigos, são como família. (Houve uma balbúrdia de aplausos e de assobios e de bocas prá geral). E ela, embalada: amigos, vizinhos, gentes do meu coração, para que não haja dúvidas e ninguém fique a matutar, digo-vos aqui, d'alma escancarada e coração nas mãos, que a Albertina, apesar de não ter sido ela a pegar os chatos ao Manel da Famel, já foi posta na rua, porque ia lá pra trás mexer nos tomates do Carlos servente, que é um porco e só lhe pagava o que queria, quando queria e nós nunca víamos nada. A malta toda a aplaudir e eu mesmo ali a ver que aquilo já não era suficiente para acalmar a Ermelinda: era pouca coisa e tarde de mais. Por isso, quando, hoje de manhãzinha, me vem a Justina toda chorosa da padaria, a dizer que aquela puta da Ermelinda a tinha descido dois lugares no ranking e que ainda lhe tinha dito ó Sôdona Justina não fique assim, que ainda está muito bem colocada pra lhe mandar pra lá uns marinheiros turcos e uns rapazes ucranianos que estão ali a pôr um pládur no café do Senhor Sousa e que ela só não lhe foi às fuças porque, depois, é que nem aos reformados da Recreativa a Ermelinda recomendava o estaminé, quando ela me chegou neste estado, eu só lhe disse, ó Justina, faz-me aqui um broche, pra não ir assim prá casa de banho lavar a tromba. Mas, eu, o que queria, mesmo, dizer-lhe era: olha, filha, põe-te mas é a pau, que o outlook continua negativo e ainda vais pelo mesmo caminho da Antonieta zarolha e olha que vais de carrinho, nem que faças uma remodelação geral ao estaminé, lavabos incluídos e toalhinhas de turco grosso mudadas todos os dias. E a Justina fez-se ao pau, mas foi ao meu, e a Ermelinda não se vai ficar por aqui. Esperem pra ver e escrevam aí na agenda que fui eu quem vos disse - que eu, quando falo não é prá piça, por isso escrevam nas agendas, não ponham os colhões a gravar.
Reconstituição das páginas da edição angolana do primeiro caderno do semanário Sol de 12 de Fevereiro de 2010 que por cá andam esquivas, segundo afamado especialista estrangeiro em arqueologia industrial (que pediu anonimato: diz que não gosta de chocos com tinta)
A PARÁBOLA DO JUIZ E DA JORNALISTA
- A JORNALISTA O sôtor não acha que o primeiro valor de uma sociedade democrática é a liberdade de expressão?
- O JUIZ (do Norte) Não.
- A JORNALISTA ... a liberdade de pensamento?
- O JUIZ (do Norte) Não.
- A JORNALISTA ...a liberdade de opinião?
- O JUIZ (do Norte)
Não. Não. O primeiro valor é o direito à vida. E deixemo-nos de coisas, porque eu já ouvi dizer... que é... O único valor, o primeiro valor, o único valor que não tem limitações, em algumas sociedades, porque tem, por exemplo, nos sítios onde há pena de morte, é o direito à vida e à integridade física...
"We hear a lot about Palestine now; it does not appeal to us. Anyone who goes there exchanges nationalism and narrowness for nationalism and narrowness. Also it is a country for capitalists".
Diários de Viktor Klemperer, entrada de 9 de Julho de 1933
"Hitler Chancellor. What, up to election Sunday on March 5, I called terror, was a mild prelude. Now the business of 1918 is being exactly repeated, only under a different sign, under the swastika. Again, it's astounding how easily everything collapses. What has happened to Bavaria, what has happened to the Reichsbanner, etc. etc.?
Eight days before the election the clumsy business of the Reichstag fire -- I cannot imagine that anyone really believes in Communist perpetrators instead of paid [swastika sign] work. Then the wild prohibitions and acts of violence. And on top of that the neverending propaganda in the street, on the radio, etc. On Saturday the fourth, I heard a part of Hitler's speech from Konigsberg. The front of a hotel at the railway station, illuminated, a torchlight procession in front of it, torchbearers and swastika flag bearers on the balconies and loudspeakers. I understood only words. But the tone! The unctuous bawling, truly bawling, of a priest. ---
Yesterday the dramaturge Karl Wolf dismissed "by order of the Nazi party" -- not even in the name of the government -- today the whole Saxon cabinet, etc., etc. A complete revolution and party dictatorship. And all opposing forces as if vanished from the face of the earth. It is this utter collapse of a power only recently present, no, it's complete disappearance (just as in 1918) that I find so staggering. Que sais-je?"
March 10, 1933
Diários de Viktor Klemperer, entrada de 10 de Março de 1933
'There he is, up to his neck, Jabotinsky, up with the leaders of the intellectual west? You didn't ever even get to where the Greeks were with their ethical & political debate, when yeer crowd were barely straggling back from Babylon, all misery & grudges, weren't they well shut of ye. Where's your Legal Title? What's this it says? Deuteronomy ch.20? Joshua ch.10 vv.28-42. You despise & slander the writings of the New Testament, yet you cite as your title to other people's land a rabid fairytale written down 700 years after the events it purports to describe? And you say your values are western? Your last two civilised rabbi emissaries, despatched to inspect the locale after the 1897 Zionist Congress in Basel reported back: "the bride is beautiful, but she is married to another man." Viktor Klemperer the Dresden Diarist wrote in 1934: the Nazis got their stupid Blut und Boden romanticism from ye.'
O tipo ser arrogante e oportunista, é como o outro: paciência, sinais dos tempos... Pensavam os meus amigos que os tachos, as chulices, os canudos porque sim, as universidades da treta, o carreirismo, as exorbitânciazinhas dos poderezinhos, eram só para os tugas sem responsabilidades políticas - ou que eram só para aqueles tais de yuppies lá dos oitentas? Ná! Somos todos culpados - ou vivemos numa caixa de cartão na Arcada do Terreiro do Paço (o que , também, não nos redime, necessariamente - podemos, então, ser apenas yuppies incompetentes). Portanto, lá isso da arrogância ignorante de um carreiristazito bem sucedido, a transpirar cagança por todos os poros, já não me incomoda. O que é grave é o golpe de Estado. Sim, a subversão do regime: então não é que o medíocre personagem se prepara para se perpetuar no poder, quer a gente queira ou não queira? Ou, nas palavras do coiso:
"Estou aqui para dizer, aos Senhores jornalistas e aos Portugueses, que não é desta forma que me vencem."
Então se não é desta, ou de qualquer outra forma, que os portugueses o vencem, como é que o gajo sai de lá? Não é a expressão da vontade dos portugueses a utopia da democracia nacional? Se não é a vontade dos cidadãos de Portugal que tira os políticos eleitos dos respectivos cargos onde esses mesmos cidadãos os puseram, quem é que os tira de lá? E, reparem bem, a coisa não diz que é este ou aquele português, estes ou aqueles grupos da sociedade tuga. Não: diz "os portugueses". São os portugueses que não a "vencem" (à coisa), pelo menos "desta forma" - bonita arrogância esta, em que um tipo determina as "formas" pelas quais pode ou não ser "venc[ido]". Imaginemos que o tipo perde as eleições: já o estou mesmo a ver, que não, que não sai, que os portugueses lhe tiraram o rico tachinho, onde (alegadamente!) comia ele, a família e os amiguinhos todos, por via de negras campanhas e que assim não, assim não sai. Vem aí a ditadura - e, agora, deixará de ser molemente dissimulada. Vejam vocês mesmos, confrontando o vídeo anexo. E, depois, não digam que eu não vos avisei.
(Ocorreu-me, assim de repente, como uma insinuação incómoda, que o socrático cretino pode estar a querer dizer outra coisa, espantosamente honesta, desta vez, mas dissimulada (socríptica?): que não serão nem os "jornalistas" (portugueses), nem os "portugueses" que "desta forma" o "vencem" - porque serão os ingleses, as suas cartas rogatórias e, porventura, os tablóides, quando não um couraçado no Tejo... Às armas!)
King Champ Gillette (1855-1932), World Corporation, Boston, New England News Company, 1910: "Man Corporate"
Under a perfect economical system of production and distribution, and a system combining the greatest elements of progress, there can be only one city on a continent, and possibly only one in the world. There would be outlying groups of buildings in different sections of the country for the accommodation of those who were, for limited periods, in the field of labor, and also others that would be occupied as resorts of pleasure in season; but the great and only "Metropolis" would be the home of the people. Having this idea in view, the location of the great city requires thoughtful and careful consideration, it being, in fact, the heart of a vast machine, to which over the thousands of miles of arteries of steel the raw material of production would find its way, there to be transformed in the mammoth mills and workshops into the lifegiving elements that would sustain and electrify the mighty brain of the whole, which would be the combined intelligence of the entire population working in unison, but each and every individual working in his own channel of inclination.
For many reasons I have come to the conclusion that there is no spot on the American continent, or possibly in the world. that combines so many natural advantages as that section of our country lying in the vicinity of the Niagara Falls, extending east into New York State and west into Ontario. The possibility of utilizing the enormous natural power resulting from the fall, from the level of Lake Erie to the level of Lake Ontario, some 330 feet is no longer the dream of enthusiasts, but is a demonstrated fact. Here is a power, which, if brought under control, is capable of keeping in continuous operation even manufacturing industry for centuries to come, and, in addition supply all the lighting;, facilities, run all the elevators, and furnish the power necessary for the transportation system of the great central city....
The manufacturing industries of "Metropolis" would be located east and west of Niagara River in Ontario and New York. The residence portion of the city would commence about ten miles east of Niagara River and Buffalo; and from this point to its eastern extremity, which would include the present city of Rochester in its eastern border, the city would be sixty miles long east and west, and thirty miles in width north and south, lying parallel with Lake Ontario, and about five miles from it.
King Champ Gillette, The Human Drift, Boston, New Era Publishing Co., 1894. Reprint: Delmar, N.Y., Scholars' Facsimiles & Reprints, Inc., 1976, pp. 88-112.