Heterologias

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

 

Speculation / Especulação

Michelangelo Pistoletto, Divisione e Moltiplicazione dello Specchio, 1978

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quarta-feira, abril 28, 2010

 

As agências de ratas


Hoje, a minha Justina está de rastos. Eu bem a tinha avisado que aquilo não ficava por ali, que a Dona Ermelinda tinha lá escarrapachado, pra toda a gente ver, um outlook negativo. Mas a minha Justina é toda reinação e é uma miúda bem formada e achou que se pagasse umas bejecas à Ermelinda dos jornais, a que vende lotarias no quiosque, ela começava a ver mais os pontos fortes do negócio e menos os remendos na canalização. Qual o quê! Hoje o pessoal que vinha do quiosque da Ermelinda era só que as meninas da Justina eram tão porcas como as universitárias gregas do Erasmo que fazem uns biscates prá Antonieta zarolha. Ainda pra mais, isto tudo no fim do mês, quando o pessoal vem aqui largar o guito. Estava eu com o Rebelo das obras, a engraxar-lhe o Benfica, que sim, que era uma fartura e que antes cá pra Lisboa que prós facciosos dos tripeiros (que a gente, quando é empresário, diz o que é preciso pra cativar o cliente) e que se fazia assim uma coisa em grande, já este fim-de-semana que vem, pra comemorar o europeu de salão - e os matraquilhos no Chico - mas, vai o Rebelo, que não, que não queria investir nisso, que, se calhar, não, que ainda ia ver, que os rapazes andavam cansados com as obras pró Papa, que o Terreiro do Paço tinha de estar acabado em menos de quinze dias, que o Braga ainda podia dar chatices... E eu a cheirar o ranço daquela merda toda. E digo-lhe assim: punhamos aí as meninas da Justina a noite toda a girarem umas mines, uma música daquelas pum-pum-pum toda às bolinhas, dava-se-lhes mais qualquer coisa e as gajas também davam mais qualquer coisa aos rapazes... E o Rebelo que ainda se ia ver. É pá! Disse logo eu ao Silva cauteleiro: anda aqui intriga da Ermelinda - e o gajo logo que sim, que a Ermelinda, depois da Antonieta, era a malhar na Justina, que aquilo era como os tigres da Malásia, pior que o Sandokan, que era no pescoço do mais fraco, despachava um e passava ao outro e que, depois da Justina, ainda ia ser a vez da Pilar, a espanhola da Pensão Vigo, que eram as leis do mercado e que um tipo não andava aqui pra ver passar combóios e ele até achava que a Ermelinda estava feita com o tipo da Remax, aquele com ar de paneleiro e gravata à BCP, e o que eles queriam era fechar aquilo tudo para depois se fazerem uns condomínios à maneira prós granfinos, daqueles com guardas e tudo, como nas novelas brasileiras. Aí é que está o quiproquó, ó Silva - a merda do busiles, o dedo na ferida. Eu bem avisei a Justina do outlook negativo, mas ela não, que não, que ia a falas com a Ermelinda e ia correr tudo bem. Até se pôs em cima do balcão e, de mine na mão, disse assim como quem vai apresentar um fadista de quem nunca ninguém ouviu falar: caros clientes, que são mais que amigos, são como família. (Houve uma balbúrdia de aplausos e de assobios e de bocas prá geral). E ela, embalada: amigos, vizinhos, gentes do meu coração, para que não haja dúvidas e ninguém fique a matutar, digo-vos aqui, d'alma escancarada e coração nas mãos, que a Albertina, apesar de não ter sido ela a pegar os chatos ao Manel da Famel, já foi posta na rua, porque ia lá pra trás mexer nos tomates do Carlos servente, que é um porco e só lhe pagava o que queria, quando queria e nós nunca víamos nada. A malta toda a aplaudir e eu mesmo ali a ver que aquilo já não era suficiente para acalmar a Ermelinda: era pouca coisa e tarde de mais. Por isso, quando, hoje de manhãzinha, me vem a Justina toda chorosa da padaria, a dizer que aquela puta da Ermelinda a tinha descido dois lugares no ranking e que ainda lhe tinha dito ó Sôdona Justina não fique assim, que ainda está muito bem colocada pra lhe mandar pra lá uns marinheiros turcos e uns rapazes ucranianos que estão ali a pôr um pládur no café do Senhor Sousa e que ela só não lhe foi às fuças porque, depois, é que nem aos reformados da Recreativa a Ermelinda recomendava o estaminé, quando ela me chegou neste estado, eu só lhe disse, ó Justina, faz-me aqui um broche, pra não ir assim prá casa de banho lavar a tromba. Mas, eu, o que queria, mesmo, dizer-lhe era: olha, filha, põe-te mas é a pau, que o outlook continua negativo e ainda vais pelo mesmo caminho da Antonieta zarolha e olha que vais de carrinho, nem que faças uma remodelação geral ao estaminé, lavabos incluídos e toalhinhas de turco grosso mudadas todos os dias. E a Justina fez-se ao pau, mas foi ao meu, e a Ermelinda não se vai ficar por aqui. Esperem pra ver e escrevam aí na agenda que fui eu quem vos disse - que eu, quando falo não é prá piça, por isso escrevam nas agendas, não ponham os colhões a gravar.

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segunda-feira, março 30, 2009

 

Hyperreality frenzy: We're selling!






You can use the comment box to make your bids.

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quinta-feira, novembro 27, 2008

 

Hollow shell


"We are watching the rebirth of colonization and a colonial mentality of a new type represented by the ‘human rights’ brigades and their friends in Le Monde and Libération, of which the war in Iraq and the failure of the West to force Israel to retreat from its colonial positions are good examples. And tied to that is the process of neo-liberalism and the neo-liberal economy, which makes democracy itself into a very hollow shell"

Tariq Ali, Naked Punch Review 06

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sexta-feira, outubro 31, 2008

 

High finance satellites (trick and treat)


Miguel Soares, Space Junk beta 1.0, 2001


Just as Jean Baudrillard long ago warned, the hyperreal, simulational world of
derivatives, credit swaps, and mortgage backed securities long ago
blasted off from material reality, reaching escape velocity, and then
orbiting the world as star-like high finance satellites -- purely
virtual satellites which have no real meaning for the rest of us as
long as they stay in space as part of the alienated, recursive loops
of advanced capitalism. But when the meltdown suddenly happens, when
that immense weight of over-indebtedness and toxic mortgages and
credit derivates plunge back into the gravitational weight of real
politics and real economy, we finally know what it is to live within
trajectories of the catastrophic. Economists are quoted as saying the
financial crisis effects "everyone on earth." Is this Virilio's
"global accident?" Quite certainly it is panic finance: that moment
when the credit mechanisms necessary for capitalist liquidity slam
shut, a time made to measure for Virilio's brilliant theory of bunker
archeology, with each bank its own toxic bunker of junk assets, each
banker a born again socialist. For example, always vigilant automatic
circuit breakers working in the darkness of night recently prevented
a global plunge of the futures market. Allan Greenspan throws up his
hands, exclaiming "I'm in shocked disbelief."
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Arthur and Marilouise Kroker, "City of Transformation. Paul Virilio in Obama's America",
CTHEORY: THEORY, TECHNOLOGY AND CULTURE, VOL 31, NO 3


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terça-feira, outubro 07, 2008

 

Unemployed black man seating on a crambling porch invest fund



State Street Global Markets

Bear Sterns

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