Giorgio de Chirico, Portrait prémonitoire de Guillaume Apollinaire. 1914. Oil on canvas. 81.5 x 65 cm. Musée National d'Art Moderne, Centre Georges Pompidou, Paris, France
Reconstituição das páginas da edição angolana do primeiro caderno do semanário Sol de 12 de Fevereiro de 2010 que por cá andam esquivas, segundo afamado especialista estrangeiro em arqueologia industrial (que pediu anonimato: diz que não gosta de chocos com tinta)
A PARÁBOLA DO JUIZ E DA JORNALISTA
- A JORNALISTA O sôtor não acha que o primeiro valor de uma sociedade democrática é a liberdade de expressão?
- O JUIZ (do Norte) Não.
- A JORNALISTA ... a liberdade de pensamento?
- O JUIZ (do Norte) Não.
- A JORNALISTA ...a liberdade de opinião?
- O JUIZ (do Norte)
Não. Não. O primeiro valor é o direito à vida. E deixemo-nos de coisas, porque eu já ouvi dizer... que é... O único valor, o primeiro valor, o único valor que não tem limitações, em algumas sociedades, porque tem, por exemplo, nos sítios onde há pena de morte, é o direito à vida e à integridade física...
O tipo ser arrogante e oportunista, é como o outro: paciência, sinais dos tempos... Pensavam os meus amigos que os tachos, as chulices, os canudos porque sim, as universidades da treta, o carreirismo, as exorbitânciazinhas dos poderezinhos, eram só para os tugas sem responsabilidades políticas - ou que eram só para aqueles tais de yuppies lá dos oitentas? Ná! Somos todos culpados - ou vivemos numa caixa de cartão na Arcada do Terreiro do Paço (o que , também, não nos redime, necessariamente - podemos, então, ser apenas yuppies incompetentes). Portanto, lá isso da arrogância ignorante de um carreiristazito bem sucedido, a transpirar cagança por todos os poros, já não me incomoda. O que é grave é o golpe de Estado. Sim, a subversão do regime: então não é que o medíocre personagem se prepara para se perpetuar no poder, quer a gente queira ou não queira? Ou, nas palavras do coiso:
"Estou aqui para dizer, aos Senhores jornalistas e aos Portugueses, que não é desta forma que me vencem."
Então se não é desta, ou de qualquer outra forma, que os portugueses o vencem, como é que o gajo sai de lá? Não é a expressão da vontade dos portugueses a utopia da democracia nacional? Se não é a vontade dos cidadãos de Portugal que tira os políticos eleitos dos respectivos cargos onde esses mesmos cidadãos os puseram, quem é que os tira de lá? E, reparem bem, a coisa não diz que é este ou aquele português, estes ou aqueles grupos da sociedade tuga. Não: diz "os portugueses". São os portugueses que não a "vencem" (à coisa), pelo menos "desta forma" - bonita arrogância esta, em que um tipo determina as "formas" pelas quais pode ou não ser "venc[ido]". Imaginemos que o tipo perde as eleições: já o estou mesmo a ver, que não, que não sai, que os portugueses lhe tiraram o rico tachinho, onde (alegadamente!) comia ele, a família e os amiguinhos todos, por via de negras campanhas e que assim não, assim não sai. Vem aí a ditadura - e, agora, deixará de ser molemente dissimulada. Vejam vocês mesmos, confrontando o vídeo anexo. E, depois, não digam que eu não vos avisei.
(Ocorreu-me, assim de repente, como uma insinuação incómoda, que o socrático cretino pode estar a querer dizer outra coisa, espantosamente honesta, desta vez, mas dissimulada (socríptica?): que não serão nem os "jornalistas" (portugueses), nem os "portugueses" que "desta forma" o "vencem" - porque serão os ingleses, as suas cartas rogatórias e, porventura, os tablóides, quando não um couraçado no Tejo... Às armas!)
Je prends un exemple que j'aime beaucoup, parce que c'est le seul moyen de faire comprendre ce que c'est que la jurisprudence. Les gens n'y comprennent rien, enfin, pas tous. Les gens ne comprennent pas très bien. Je me rappelle, moi, le temps où il a été interdit de fumer dans les taxis. Avant, on fumait dans les taxis. Il y avait un temps où on n'avait plus le droit de fumer dans un taxi. Les premiers chauffeurs de taxi qui ont interdit de fumer dans les taxis, ça a fait du bruit, parce qu'il y avait des fumeurs. Et il y avait un, c'était un avocat. J'ai toujours été passionné par la jurisprudence, par le droit. Si je n'aurais pas fait de philosophie, j'aurais fait du droit, mais justement, pas du droit de l'homme, j'aurais fait de la jurisprudence. Parce que c'est la vie. Il n'y a pas de droits de l'homme, il y a la vie, il y a des droits de la vie. Seulement la vie c'est cas par cas. Donc, les taxis. Il y a un type qui ne veut pas être interdit de fumer dans un taxi. Il fait un procès au taxi. Je me souviens très bien, parce que là, je m'étais occupé d'avoir les attendus du jugement. Le taxi était condamné. Aujourd'hui, pas de question. Il y aurait le même procès, il ne serait pas condamné le taxi, ce serait le usager qui serait condamné. Mais au début, le taxi a été condamné. Sous quels attendus? Que, lorsque quelqu'un prenait un taxi, il était locataire. Donc, l'utilisateur de taxi a été assimilé à un locataire. Le locataire a le droit de fumer chez lui. Il a le droit d'usage et d'appui. C'est comme s'il faisait de location. C'est comme si ma propriétaire me disait: non, tu ne va pas fumer chez toi. Si, si je suis locataire, je peux fumer chez moi. Donc le taxi a été assimilé à un appartement roulant dont l'usager était le locataire. Dix ans après, ça s'est absolument universalisé, il n'y a pratiquement plus de taxi où on peut fumer. Au nom de quoi ? Le taxi n'est plus assimilé à une location d'appartement, il est assimilé à un service publique. Dans un service publique, on a le droit d'interdire de fumer. Tout ça est jurisprudence. Il n'est pas question de droit de ceci ou de cela. Il est question de situation, et de situation qui évolue. Et lutter pour la liberté, c'est réellement faire de la jurisprudence.
Gilles Deleuze (1925-1995) entrevistado por Claire Parnet em 1988-89
Alguém tem o contacto do dealer do Benjamin? (O do Baudelaire também serve)
Dwain Esper, Marihuana (1936)
After long hesitation, took hashish at 7 o'clock in the evening. During the day I had been in Aix. I am taking down notes of what possibly follows only to determine whether it will take effect, as my solitariness hardly allows for any other supervision. Next to me a small child is crying, who disturbs me. I think that three quarters of an hour have already elapsed. And yet it has actually been only half an hour. Thus... apart from a very mild absent-mindedness, nothing's happening. I lay upon the bed, read and smoked. All the while opposite me this glimpse of the ventre of Marseilles. (Now the images begin to take hold of me.) The street that I'd so often seen is like an incision cut by a knife.
Certain pages in Steppenwolf , which I read early this morning, were a final impetus to take hashish.
Walter Benjamin (1892-1940), On Hashish (1927-34), Protocol IV: 29 September 1928. Saturday. Marseilles. [Translated by Scott J. Thompson, copyright March 25, 1997]
(Cuidado com a pequena criminalidade: começam no graffiti, passam aos charros e acabam a urrar macacadas com os pretos do jazz e a tomar banho nuas com as outras fufas. Veja-se o caso do Walter Benjamin: morreu novo, aos 48 anos - parece que o ar puro dos Pirinéus foi demais para ele. Bem haja, senhor Giuliani!)
Matthias Grünewald (1470/80 - 1528), Isenheim Altarpiece, The Crucifixion (detail), c. 1515, oil on wood, 269 x 307 cm, Musée d'Unterlinden, Colmar
The killing of Christ injures the being of God. It looks as if creatures couldn't communicate with their Creator except through a wound that lacerates integrity. The wound is intended and desired by God. The humans who did this are not less guilty. On the other hand, �and this is not the least strange,� the guilt is a wound lacerating the integrity of every guilty being. In this way God (wounded by human guilt) and human beings (wounded by their own guilt with respect to God), find, if painfully, a unity that seems to be their purpose. If human beings had kept their own integrity and hadn't sinned, God on one hand and human beings on the other would have persevered in their respective isolation. A night of death wherein Creator and creatures bled together and lacerated each other and on all sides, were challenged at the extreme limits of shame: that is what was required for their communion.
Thus "communication," without which nothing exists for us, is guaranteed by crime. "Communication" is love, and love taints those whom it unites.
In the elevation upon a cross, humankind attains a summit of evil. But it's exactly from having attained it that humanity ceases being separate from God. So clearly the "communication" of human beings is guaranteed by evil. Without evil, human existence would turn in upon itself, would be enclosed as a zone of independence: And indeed an absence of "communication"� empty loneliness �would certainly be the greater evil.