Portas na ìndia: a descolar
Lá estava ele,
na TVI, depois das imagens pitorescas e antes de um jornalista inexplicavelmente apressado, por enquanto reduzido à função de narrador: o admirador de Churchill que gosta de fingir que o alfaiate do Porto tem loja aberta em Saville Row, passeando riscados claros sobre cores escuras em fatos de casaco assertoado. E dizia ele, o ministro, sim senhor, nas pontas dos pés daquela voz com que nos quer convencer de que é ele o barómetro moral da política portuguesa, afinando um tom british, em plena ex-jóia da coroa, entre os azeiteiros levados de cá: "I'm waiting... to have in India... the portuguese, very, very, very good wine and olive oil. You should prove it." A sorrir cheio de insinuações publicitárias. Lembrei-me logo de outro antigo colaborador do finado
Independente (com ou sem "e" no fim?): media ele, no Verão passado, a literacia dos portugueses pela literatura estampada nas t-shirts - iletrados como aquela avó cuja camisola em t declarava "I'm a porn star". Iletrados, portanto, como o ministro anglófilo que tomava "to prove" por "to taste" ou "to try"... mas... espera aí... pensei eu, depois. E se fosse isto material cifrado? E, se quando se diz "sink" por "think", se estiver, de facto, a dizer que se "afunda" e não que se "pensa" - e que, realmente, se é obrigado "a fazer prova" sob a capa de se estar a sugerir ao subcontinente que "prove" o vinho português? Submarinos e ónus da prova? Será que encontrei um código secreto? Um very (very, very, very) "special one"?
"Tenho muito gosto em começar aqui no ginásio. Também é uma metáfora: A economia portuguesa precisa de 'cardio', precisa de tónico, de músculos, precisa de abdominais, que custa um bocadinho mais." Anotai: não só o ídolo dos mercados (das couves) confessa andar, depois dos dentes (e a seguir, irá tratar do animal de estimação do engenheiro Sousa Veloso que lhe morreu na cabeça?), a fazer pelos abdominais (com a nota confessional, em rima, de que lhe custa um bocadito), como, literalmente, letra após letra, afirma o seu gosto pelas metáforas, salientando, mesmo, de que se trata de mais uma -
"também é uma metáfora". Qual era a outra? Será preciso dizer mais? Ou vai sem dizer? Salvo seja. Salvar, por salvar, Deus salve a rainha, que está de caganeira.
Etiquetas: inglês técnico, Nos passos de Sócrates, Patriotismo, Portas (Paulo)

"I was a Zionist activist in my youth. For me, Zionism meant opposition to a
Jewish state. The Zionist movement did not come out officially in favor of a Jewish state until 1942. Before this it was merely the intent of the Zionist leadership. The Zionist movement for a long time stood against the establishment of a Jewish state because such a state would be
discriminatory and racist".
"
Israel in Global Context", Noam Chomsky interviewed by Ludwig Watzal,
Challenge, No. 44, July-August 1997 [June 9, 1997]
Etiquetas: capitalism, Chomsky, Middle East, nazism, Patriotismo, Politics, Racism

"We hear a lot about
Palestine now; it does not appeal to us. Anyone who goes there exchanges nationalism and narrowness for nationalism and narrowness. Also it is a country for capitalists".
Diários de Viktor Klemperer, entrada de 9 de Julho de 1933Etiquetas: capitalism, Klemperer (Viktor), Middle East, nazism, Patriotismo, Politics

"Hitler Chancellor. What, up to election Sunday on March 5, I called terror, was a mild prelude. Now the business of 1918 is being exactly repeated, only under a different sign, under the swastika. Again, it's astounding how easily everything collapses. What has happened to Bavaria, what has happened to the Reichsbanner, etc. etc.?
Eight days before the election the clumsy business of the Reichstag fire -- I cannot imagine that anyone really believes in Communist perpetrators instead of paid [swastika sign] work. Then the wild prohibitions and acts of violence. And on top of that the neverending propaganda in the street, on the radio, etc. On Saturday the fourth, I heard a part of Hitler's speech from Konigsberg. The front of a hotel at the railway station, illuminated, a torchlight procession in front of it, torchbearers and swastika flag bearers on the balconies and loudspeakers. I understood only words. But the tone! The unctuous bawling, truly bawling, of a priest. ---
Yesterday the dramaturge Karl Wolf dismissed "by order of the Nazi party" -- not even in the name of the government -- today the whole Saxon cabinet, etc., etc. A complete revolution and party dictatorship. And all opposing forces as if vanished from the face of the earth. It is this utter collapse of a power only recently present, no, it's complete disappearance (just as in 1918) that I find so staggering. Que sais-je?"
March 10, 1933
Diários de Viktor Klemperer, entrada de 10 de Março de 1933Etiquetas: Authority, Christo, Democracy, Klemperer (Viktor), Mass Media, nazism, novos religiosos da utopia laica, Patriotismo, Politics
'There he is, up to his neck,
Jabotinsky, up with the leaders of the intellectual west? You didn't ever even get to where the Greeks were with their ethical & political debate, when yeer crowd were barely straggling back from Babylon, all misery & grudges, weren't they well shut of ye. Where's your Legal Title? What's this it says?
Deuteronomy ch.20?
Joshua ch.10 vv.28-42. You despise & slander the writings of the New Testament, yet you cite as your title to other people's land a rabid fairytale written down 700 years after the events it purports to describe? And you say your values are western? Your last two civilised rabbi emissaries, despatched to inspect the locale after the 1897 Zionist Congress in Basel reported back: "the bride is beautiful,
but she is married to another man."
Viktor Klemperer the Dresden Diarist wrote in 1934: the Nazis got their stupid
Blut und Boden romanticism from ye.'
Sydney Bernard Smith, Sauce for the Gander, Lulu, 2007, p. 61Etiquetas: Camps, capitalism, Colonialism, Genocide, Geo-política, Giambologna, Holocaust, Literature, Middle East, nazism, Oásis, Patriotismo, Politics, Religion, Sydney Bernard Smith, Truffaut
Rafael Bordalo Pinheiro, A Parodia, nº 95, 6 de Novembro de 1901, página 360NO PAÍS DOS SACANAS
Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
Todos os são, mesmo os melhores, às suas horas,
e todos estão contentes de se saberem sacanas.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice
para fazer funcionar fraternalmente
a humidade da próstata ou das glândulas lacrimais,
para além das rivalidades, invejas e mesquinharias
em que tanto se dividem e afinal se irmanam.
Dizer-se que é de heróis e santos o país,
a ver se se convencem e puxam para cima as calças?
Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
ingénuos e sacaneados é que foram disso?
Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora.
Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
porque no país dos sacanas, ninguém pode entender
que a nobreza, a dignidade, a independência, a
justiça, a bondade, etc., etc., sejam
outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
a um ponto que os mais não são capazes de atingir.
No país dos sacanas, ser sacana e meio?
Não, que toda a gente já é pelo menos dois.
Como ser-se então nesse país? Não ser-se?
Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma.
10/10/1973
Jorge de Sena, 40 Anos de Servidão, Lisboa, Edições 70, s.d. [1989], p. 136Etiquetas: Jardins, Jorge de Sena, Literature, Meme, Oásis, Patriotismo, Pulhice, Tomás Ribeiro
Rafael Bordalo Pinheiro, A Parodia, 31 de Janeiro de 1900Cá está o memé - e é catita:
"Jardim da Europa á beira-mar plantado"
(Thomaz Ribeiro, D. Jayme ou a Dominação de Castella, 1862)Etiquetas: Bordalo, Castela, Cavaco Silva, Europa, Geo-política, Jardins, Meme, Oásis, Patriotismo, Tomás Ribeiro